terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Dicas para manter (algum) controlo na sala de aula

Quando os alunos puxam dos telemóveis para fazer seja o que for, os professores normalmente franzem logo o sobrolho. E muitas vezes não é caso para menos; até porque toda a gente ainda se lembra deste episódio:


Por este e outros motivos, na maior parte das escolas os telemóveis são simplesmente proibidos na sala de aula.
Mas já vimos que pode dar muito jeito que os alunos tenham o dispositivo consigo. Deixo então algumas dicas (experimentadas por mim) para tentarmos manter algum controlo durante e depois das atividades que envolvem os dispositivos móveis na sala de aula.

1 - Estabelecer regras que permitam alguma flexibilidade.
Já sabemos que, a partir do momento em que os alunos agarram no telemóvel, vamos perder algum controlo sobre aquilo que eles estão a fazer. Não devemos perder de vista, contudo, que o objetivo da utilização dos dispositivos móveis é cativar a atenção dos alunos para a aprendizagem. Se quisermos tirar o telemóvel a um aluno de cada vez que os apanhamos a mandar uma mensagem ao colega do fundo da sala, vai ser difícil fazer isto resultar.
Mas nem por isso devemos deixar de estabelecer regras; a mais importante será fazer ver os alunos que os telemóveis são uma ferramenta e que há uma tarefa a cumprir. Quem se distrair da tarefa não a vai conseguir levá-la até ao fim. Quanto ao resto, cada um tem de gerir a turma o melhor que pode. O que eu garanto é que, ao final de algumas tentativas, os alunos acabam por perceber a mensagem.

2 - Não ter expetativas muito altas
Esta dica vem da anterior. As primeiras atividades com os telemóveis costumam ser confusas e barulhentas. Com o tempo tudo se vai normalizando. A repetição e a perseverança são muito importantes.
Existe uma ideia de que os alunos vão ser capazes de fazer tudo o que lhes indicamos num piscar de olhos. Isto é um mito. Os alunos (como toda a gente) são muito eficazes a fazer o que fazem sempre. Se lhes pedirem para enviar um SMS ou tirar uma foto são instantâneos. mas se tiverem de explorar uma aplicação ou redigir um texto vão ser tão lentos como nós (ou mais). Por isso, tente não sobrecarregar as primeiras atividades. Devagar se vai ao longe.


3 - Planear as atividades passo-a-passo e experimentar tudo em casa
Como em qualquer tarefa, os alunos tendem a fazer mais barulho e estar mais distraídos quando não conseguem acompanhar o processo. Tente planear os passos de forma independente e, se possível, deixem estes passos visíveis durante a maior parte da tarefa. Utilizem o projetor. Tenham em conta que muitas ferramentas e websites estão em inglês e os alunos podem ter dificuldades para acompanhar o nosso raciocínio.

4 - Planear estas atividades para a parte final da aula
Muitas vezes o mais difícil não é o "durante"; é o "depois". Retomar o curso da aula depois de uma atividade em que os alunos estão entusiasmados pode ser complicado. Mas podemos sempre contar ser salvos pelo toque do intervalo.

5 - Experimentar primeiro com uma turma de controlo
Se temos uma turma com a qual o relacionamento é mais fácil, vale a pena experimentar primeiro com eles. Há sempre qualquer coisa que não corre bem, e se vamos ter de aprender com os erros, que seja uma aprendizagem mais suave.

Se quiserem partilhar mais ideias, utilizem os comentários.

15 comentários:

  1. Eu acrescentaria mais um ponto (ponto seis) que consiste em definir vários checkpoints (pontos de verificação), durante o processo de desenvolvimento da atividade (várias tarefas) proposta para a aula. Esses "pontos de verificação" deverão, preferencialmente, ser suportados por ferramentas que permitam ao aluno apresentar e registar as diferentes fases (tarefas) da atividade.
    A plataforma Moodle apresenta vários recursos que permitem este controlo (p. ex: Testes, Foruns, Trabalhos, ...).

    Carlos Carvalho

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  2. O uso dos telemóveis na aula podem levar à anarquia se não houver o estabelecimento de regras para que a mesma possa decorrer como planeada. Estas dicas são úteis para se poder utilizar o telemóvel adequadamente.

    Fonseca e Ana

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  3. Sugestões interessantes para evitar o caos!
    Utilização dos dispositivos móveis exige uma boa planificação das atividades e organização.

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  4. Efetivamente, são afirmações indesmentíveis e encorajadoras para que os dispositivos móveis sejam integrados nas nossas práticas letivas, desde logo pelos recursos que oferecem no sentido de potenciar o processo de ensino e aprendizagem. À inovação está,normalmente, associado mais ruído e margem maior de erro. Importa que haja predisposição para refletir, evolvendo os alunos na avaliação do trabalho realizado e dando-lhe voz para que também sugiram alternativas que viabilizem mais sucesso.

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  5. Parece-me que os pontos apresentados são pertinentes para que as coisas corram bem, na utilização de tablets/telemoveis na sala de aula.
    Carla Ferreira

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  6. Estratégias essenciais para que a aula decorra dentro da "normalidade". É sempre difícil saber o que vai na cabeça dos alunos...

    Bruno Sousa

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  7. A implementação de recursos móveis, mais precisamente, os telemóveis é cada vez mais uma realidade em contexto educativo.
    Na minha opinião, os professores não podem descurar esta realidade. No entanto, deverão estabelecer regras que permitam a flexibilidade e ser persistentes A utilização do telemóvel requer uma planificação e experimentação prévias, de modo que os objectivos da aula sejam cumpridos. A implantação destes recursos, bem planificados constituem uma mais valia para aprendizagens significativas.

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  8. Como em todas reformas educativas, as novas tecnologias impõe ritmos de aprendizagem em clima de partilha efetiva com os alunos; isto porque o professor vai gradualmente testando estratégias que vão causando efeitos significativos em determinadas turmas, todavia, noutras não.
    A regra será não haver regras e deixar fluir a nossa flexibilidade natural. que fomos acumulando ao longo dos anos de docência1 Desistir? Nunca!

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  9. Temos que experimentar para sabermos se a aula com a utilização dos telemóveis corre bem ou não. Não devemos desistir na primeira dificuldade!!
    Fernanda Alves

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  10. Na minha opinião, as "tecnologias" móveis que os alunos possuem e levam para dentro da sala de aula, devem ser aproveitadas ou integrados pelo professor no processo ensino/aprendizagem. Para que isso aconteça sem perder o controle da situação, será necessário planear previamente onde e quando utilizá-las no decorrer da actividade lectiva.

    José Machado

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  11. A utilização de dispositivos móveis na sala de aula é, concerteza, algo difícil de controlar. Porém, as vantagens podem valer a pena. Considero que a definição clara dos objetivos é fundamental para o sucesso, assim como a solicitação de resultados finais e/ou parciais.
    Cristina Mota.

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  12. Utilizar partilhas de trabalho em tempo real, de forma a monitorizar a utilização dos telemóveis.

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  13. Hoje em dia os meus alunos utilizam o telemóvel com a minha supervisão essencialmente na pesquisa de temas de aula, se não criarmos um limite de tempo nessa pesquisa,o trabalho criativo fica comprometido, porque os alunos facilmente assimilam essas pesquisas, funcionando como âncora anti-criativa impedindo de certa forma o desafio de auto superação e de introspecção criativa.
    Rui de Carvalho

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  14. Nas atividades a desenvolver recorrendo aos dispositivos móveis na sala de aula, a planificação é essencial.
    Os alunos devem ser motivados para a aprendizagem e têm que ter em atenção que o telemóvel é uma ferramenta para a realização das tarefas propostas.
    Isabel Solinho

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